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sexta-feira, outubro 08, 2010
Camané no CCB - Uma grande noite de Fado
quarta-feira, outubro 06, 2010
quinta-feira, junho 03, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
terça-feira, janeiro 05, 2010
quarta-feira, novembro 18, 2009
quarta-feira, novembro 04, 2009
Versos escritos por Amália Rodrigues

Ai Esta Pena de Mim
Ai esta angústia sem fim
Ai este meu coração
Ai esta pena de mim
Ai a minha solidão
Ai a minha infância dorida
Ai o meu bem que não foi
Ai minha vida perdida
Ai lucidez que me dói
Ai esta grande ansiedade
Ai este não ter sossego
Ai passado sem saudade
Ai a minha falta de aprego
Ai de mim que vou vivendo
Em meu grande desespero
Ai tudo o que não entendo
Ai o que entendo e não quero
Gostava de Ser Quem Era
Tinha alegria nos olhos
Tinha sorrisos na boca
Tinha uma saia de folhos
Tinha uma cabeça louca
Tinha uma louca esperança
Tinha fé no meu destino
Tinha sonhos de criança
Tinha um mundo pequenino
Tinha toda a minha rua
Tinha as outras raparigas
Tinha estrelas tinha a lua
Tinha rodas de cantigas
Gostava de ser quem era
Pois quando eu era menina
Tinha toda a Primavera
Só numa flor pequenina
Tive Um Coração Perdi-o
Tive um coração perdi-o
Ai quem mo dera encontrar
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar
Quem me dera ir embora
Ir embora sem voltar
A morte que me namora já me pode vir buscar
Tive um coração perdi-o
Ainda o vou encontrar
Preso no lodo do rio
Ou afogado no mar
Trago Fados Nos Sentidos
Trago fados nos sentidos
Tristezas no coração
Trago os meus sonhos perdidos
Em noites de solidão
Trago versos trago sons
Duma grande sinfonia
Tocada em todos os tons
Da tristeza e da agonia
Trago amarguras aos molhos
Lucidez e desatinos
Trago secos os meus olhos
Que choram desde meninos
Trago noites de luar
Trago planícies de flores
Trago o céu e trago o mar
Trago dores ainda maiores
Quando Se Gosta de Alguém
Quando se gosta de alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando alguém gosta d'alguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amores andamos
Quando alguém gosta de alguém
Anda assim como ando eu
Que não anda nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta de alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior a gente se sente
Quando se gosta de alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto
Lágrima
Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de te querer tanto
Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim um castigo
Não te quero
Eu digo que não te quero....
E de noite
De noite sonho contigo
Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer
Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar
Ai Minha Doce Loucura
Ai minha doce loucura
Ai minha loucura doce
Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Meu amor se assim não fosse
Se eu dantes tinha fome
Meu amor anda faminto
Com os beijos que te dei
O que sinto eu já não sei
Eu já nem sei o que sinto
Seria a noite mais noite
Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Ai minha doce loucura
Ai minha loucura doce
Ai minha loucura doce
Ai minha doce loucura
Ai minha loucura louca
Eu hei-de achar a tua boca
Mesmo na noite mais escura
Se minha alma não ousa
Meu coração que se afoite
Eu hei-de achar tua boca
Ai minha loucura louca
Mesmo na noite mais noite
Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Ai minha loucura doce
Ai minha loucura louca
Ai minha doce loucura
O Fado Chora-se Bem
Moram numa rua escura
A tristeza e a amargura
A angústia e a solidão
No mesmo quarto fechado
Também la mora o meu fado
E mora meu coração
Tantos passos temos dado
Nós as três de braço dado
Eu a tristeza e a amargura
À noite um fado chorado
Sai deste quarto fechado
E enche esta rua tão escura
Somos vizinhos do tédio
Senhor que não tem remédio
Na persistência que tem
Vem p'ró meu quarto fechado
Senta-se ali a meu lado
Não deixa entrar mais ninguém
Nesta risonha morada
Não há lugar p'ra mais nada
Não cabe lá mais ninguém
Só lá cabe mais um fado
Que neste quarto fechado
O fado chora-se bem
Amor de Mel Amor de Fel
Tenho um amor
Que não posso confessar
Mas posso chorar
Amor pecado
Amor de amor
Amor de mel
Amor de flor
Amor de fel
Amor maior
Amor amado
Tenho um amor
Amor de dor
Amor maior
Amor chorado
Em tom menor
Em tom menor
Maior o fado
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado
Foi andorinha
Que chegou na Primavera
E eu era quem era
Fado maior
Cantado em tom de menor
Chorando um amor de dor
Dor de um bem e mal amado
Grito
Silêncio
Do silêncio faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco
De sombra a sombra
Há um céu tão recolhido
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido
Ao céu
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás d'ela
E eu
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora
Solidão
Que nem mesmo é inteira
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura
Ai solidão
Quem fora escorpião
Ai solidão
E se mordera a cabeça
Adeus
Já fui p'r'além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede
Adeus
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai como dói
A solidão quase loucura
Horas de Vida Perdida
Horas de vida perdida
À procura de viver
Vai-se á procura da vida
Não a encontra quem quer
Quem sou eu para dizer
Quem sou eu para o saber
Nem sei se sou ou não sou
Ninguém pode conhecer
Isto de ser e não ser
Sem saber sei entender
Assim sei o que não sei
Sinto que sou e não sou
Entre o que sei e não sei
A minha vida gastei
Sem conseguir entender
Ai quem me dera encontrar
As rimas da poesia
Ai se eu soubesse rimar
Tantas coisas que eu dizia
O Tempo Dantes Corria
O tempo dantes corria
E eu ainda corria mais
Mas vi-te e desde esse dia
Que correm mais os meus ais
O tempo dantes corria
E com ele meus folguedos
Mas vi-te e desde esse dia
Correm p'ra ti meus segredos
O tempo dantes corria
E eu corria para a vida
Mas vi-te e desde esse dia
Fiquei de vida perdida
O tempo dantes corria
E eu vivia a correr
Mas vi-te e desde esse dia
Que corro só p'ra te ver
Por Que Voltas De Que Lei
Por que voltas de que lei
Vem este sentir profundo
Por te ver como sei
Me sinto dona do mundo
Por que espada de que rei
Meu amor é fogo posto
És tanto de quanto amei
Que és tudo de quanto gosto
Por este amor que te tenho
Por ser assim como sou
És inferno de onde venho
És o céu para onde vou
Por que voltas de que lei
És tudo de quanto gosto
Me perdi e me encontrei
Nas voltas que tem teu rosto
Por que voltas de que rei
Em meu peito te desenho
És tanto de quanto amei
Que és todo o mundo que tenho
E de tão rica que estou
Nunca tão pobre fiquei
Por ser assim como sou
E te saber como sei
Mãos Desertas
Nesta solidão que é minha
Mora a minha inquietação
E esta angústia que me mata
Mora no meu coração
Salvai o meu coração
Que se queima na fogueira
No fogo desta paixão
Que será p'rá vida inteira
O nosso amor, meu amor
É bom e faz-me sofrer
Prazer que me traz a dor
Do medo de te perder
Ai De Mim Que Me Perdi
Ai de mim que me perdi
Pelos caminhos do tédio
Perdi-me cheguei aqui
Agora não tem remédio
Ai de mim que me perdi
Perdi-me no fim da estrada
Ai de mim porque vivi
A vida desencontrada
Tantos caminhos andados
Não fui eu que os descobri
Foram meus passoa mal dados
Que me trouxeram aqui
Perdida me acho na vida
E a vida já me perdeu
Ando na vida perdida
Sem saber quem a viveu
Por mais que queira encontrar
A razão do meu viver
A razão de cá andar
Não posso compreender
Que culpa tem o destino
Dos caminhos que eu andei
Fui eu no meu desatino
Que andei e não reparei
Perdida estou sem remédio
Meu pecado é meu castigo
Pecado é morrer de tédio
Castigo e viver contigo
Faz-me Pena
Que culpa tem o destino
Deste destino que eu tenho
Se o desgosto é pequenino
Eu aumento-lhe o tamanho
É meu destino
Se o desgosto é pequenino
Eu aumento-lhe o tamanho
Se o desespero matasse
Eu já teria morrido
Talvez alguém me chorasse
Talvez o tenha merecido
Talvez alguém
Talvez alguém me chorasse
Talvez o tenha merecido
Sinto que cheguei ao fim
Das ilusões que não tive
Porque alguém gosta de mim
Algo de mim sobrevive
Cheguei ao fim
Mas se alguém gosta de mim
Algo de mim sobrevive
Adeus que chegou a hora
Há muito a venho esperando
E se por mim ninguém chora
Faz-me pena e vou chorando
Já vou embora
E se por mim ninguém chora
Faz-me pena e vou chorando
Amália Rodrigues - Versos
sexta-feira, outubro 02, 2009
Temos de mexer na Amália - Revista Ipsilon - Jornal Público

Tem sido assim a nossa relação com ela: aprisionámos o monstro. Amália tornou-se figura sem corpo, à mercê do imaginário colectivo. A exposição "Amália, Coração Independente" pode ser o início de uma nova relação.
Quando Jean-François Chougnet sugeriu o título “Coração Independente” para a exposição que abre terça-feira em Lisboa, no Museu Berardo e no Museu da Electricidade, não estava a contar com resistência interna. Fez uma sondagem junto da sua equipa e “ninguém gostou”, revela. “Diziam que era um fado de que ninguém gosta, que não era um fado popular, mas um fado para a ‘intelligentsia’, etc.” No dia seguinte, o director do Museu Colecção Berardo apanhou o autocarro 745 para o aeroporto de Lisboa e reparou num jovem com um leitor de MP3 a seu lado – isto é, reparou no que ele ouvia. “Dois dias depois regresso aqui e digo: ‘Se há um jovem no autocarro 745 a ouvir ‘Estranha Forma de Vida’ [canção de que fazem parte os versos ‘Coração independente, coração que não comando’], é porque não é uma coisa totalmente fora...”, ri-se.
É uma “petite histoire”, mas é reveladora do que tem sido a história da nossa relação com Amália Rodrigues: à força de a meter em caixinhas, nunca deixámos que fosse tudo o que podia ser. Aprisionámos o monstro e criámos regras de convivência para o manter sob controle. Amália tornou-se uma figura sem corpo à mercê das disposições do imaginário colectivo. Somos reféns convertidos em sequestradores: a sombra de Amália é inescapável, mas também não a deixamos à solta (e tentamos sempre disparar primeiro).
É por isso que este pode ser o início de uma nova relação com Amália: a exposição “Amália, Coração Independente”, que está no centro de uma verdadeira Operação Amália, com uma programação intensa que se estende a outras instituições (Teatro S. Luiz, Museu do Fado) no momento em que se assinala o décimo aniversário da morte da fadista, propõe repensar o fenómeno nas suas múltiplas dimensões com uma perspectiva contemporânea. Além da tentativa de concentrar Amália na sua totalidade – fadista, actriz de cinema, vedeta internacional, mito nacional, etc. – procuram lançar-se novas abordagens que, se não quebram o espelho, pelo menos poderão abrir fissuras na percepção pública da figura. Talvez um dia olhemos para agora como o momento em que se fez o “reset” de Amália.
Primeira constatação: apesar da sua popularidade, prestígio e amplitude, Amália tem sido pouco estudada, o que é revelador do estado incipiente dos estudos culturais em Portugal. “A minha primeira surpresa, ao começar a trabalhar sobre Amália, é que não há grande bibliografia”, diz Jean-François Chougnet. “É um assunto evidente mas que não é tão tratado quanto parece.”A única biografia existente, que continua a ser a referência de base para qualquer investigador, foi publicada em 1987 pelo ex-crítico de teatro e antigo director do Museu Nacional do Teatro, Vítor Pavão dos Santos, e reeditada em 2005. Intitulada “Amália – Uma Biografia”, é, na verdade, uma espécie de autobiografia composta a partir de inúmeras e extensas entrevistas (78 horas de gravações) conduzidas entre 1982 e 1986.
“O Vítor Pavão dos Santos é o ponto de partida e de chegada de todos os estudiosos da Amália e a gente tem de tirar o chapéu ao trabalho dele porque sem ele tínhamos de começar do zero”, nota o musicólogo Rui Vieira Nery. “Mas não podemos esquecer que são entrevistas tardias. E que a Amália relembra a sua vida mas também reconstrói a sua imagem. Não é que esteja a tentar enganar-nos. Mas ela própria vai olhando para a sua vida e vai refazendo as coisas. Olha com uma perspectiva que já é posterior e que não corresponde àquela que ela tinha na altura. Temos de desmontar o seu discurso e perceber em cada época qual é a postura dela e como é que foi evoluindo.”
David Ferreira, ex-director da EMI-Valentim de Carvalho, responsável por muitas reedições da obra de Amália e pelas duas compilações que vão ser lançadas em simultâneo com a exposição “Coração Independente”, corrobora: “Faz falta um documento do mesmo género pré-1974” porque “não é a mesma pessoa”.Segunda constatação: pelas suas características, Amália é um tema que resiste à análise crítica. “Há um obstáculo muito grande que parte da relação afectiva que temos todos com ela”, diz Nery, acrescentando que existe uma tentação de proteccionismo em relação à figura. “É preciso não divinizar de tal maneira a Amália que ela se liberta da espécie humana e do contexto específico em que se moveu.”
A exposição “Coração Independente” é acompanhada por um catálogo, que é um complemento, mais do que uma reprodução gráfica da mostra, e denota um esforço para produzir análise. Pediu-se a um conjunto de especialistas que reflectissem sobre os campos de acção de Amália ou sobre aspectos específicos: a sua dimensão política durante o regime salazarista, o reportório musical (Rui Vieira Nery) e poético (António Guerreiro), imagem fotográfica (Emília Tavares), filmografia (António Rodrigues), etc.
Muitos deles, ouvidos pelo Ípsilon, admitem que uma das dificuldades na abordagem de Amália é a profusão de lugares-comuns, a par de uma “aura de respeitabilidade” (Emília Tavares) que contribui para a preservação de uma imagem canónica. “Como é um mito, Amália convida muito à repetição das fórmulas litúrgicas de veneração – ‘a santa do fado’ e por aí fora”, aponta Vieira Nery. “Não podemos ter estas relações de fidelidade mórbida a uma figura intocável. Temos de mexer na Amália.”
Houve pelo menos um caso em que isso implicou tocar numa questão sensível: a eterna dúvida sobre o nível de envolvimento político de Amália durante o Estado Novo. Se calhar, não é por acaso que tenha sido um francês a reabrir o “dossier Amália” no catálogo. Ele admite: não foi por acaso. “A polémica tem a ver com a relação da sociedade portuguesa com o Estado Novo. Não é uma questão específica de Portugal. O dossier da ocupação alemã no meu país só foi reaberto nos anos 70-80, aliás por um americano, Robert O. Paxton.”
Sem escamotear alguns “erros” cometidos pela fadista – a sua actuação no Estádio de Alvalade numa gala promovida pelo Governo num momento de apelo ao boicote e protesto face à fraude eleitoral de 1958, e umas quadras enviadas a Salazar quando este caiu da cadeira (“Ponha-se-me bom depressa / Meu querido presidente / Depressa, que essa cabeça / Não merece estar doente”) –, Chougnet dissipa quaisquer fantasmas de colaboracionismo. “Muitos amalianos dizem que não vale a pena falar disso. Eu acho que vale a pena, precisamente porque não houve crime. A Amália nunca fez parte da PIDE, nunca houve um túnel entre o Palácio de São Bento e a casa dela, como foi dito depois do 25 de Abril.” Refere-se à campanha de boatos que visaram Amália durante o período revolucionário, e que a alinhavam com o regime deposto. Vieira Nery: “Quando tiveram essa postura, as pessoas esqueceram-se de coisas importantíssimas, como o facto de nos anos 50 Amália cantar Sidónio Muralha, que era um exilado político anti-fascista, perseguido pela PIDE. E cantou o ‘Libertação’ do David Mourão-Ferreira, que era o ‘Fado de Peniche’, que toda a gente sabe que foi escrito em alusão à prisão de Álvaro Cunhal. A casa da Amália era um espaço de liberdade onde conviviam intelectuais maioritariamente da oposição. Não se conspirava contra o regime mas não havia restrições de palavra. Portanto, Amália é tudo menos um símbolo da ideologia fascista pura e dura.”
António Rodrigues, programador da Cinemateca, diz que a filmografia de Amália (oito filmes, entre 1946 e 1965) permanece desconhecida porque “a maior parte das pessoas não viu os filmes”. “Os portugueses em geral têm tamanha rejeição em relação ao cinema anterior ao 25 de Abril que se recusam a ver. Se eu passar uma coisa ‘kitsch’, em ‘cinemascope’ e a cores, com o António Calvário, as pessoas não vão ver, nem para rir nem para atirar pedras. Mas se passar uma coisa pimba com a Doris Day, já vão.”
Entre os especialistas existe a opinião de que a carreira de Amália no cinema nunca arrancou como podia, que “não deu certo”, que foi uma ocasião perdida. Rodrigues nota que ela “não falhou mais do que a de Edith Piaf ou Billie Holiday”, que até trabalharam em cinematografias mais sólidas e ricas do que a portuguesa. Tem uma filmografia maior e foi das poucas cantoras “a fazer um papel inteiro”. Amália “nunca é má no cinema”, diz. “É sóbria e intensa.”
Jean-François Chougnet viu Amália pela primeira vez ao vivo no Olympia em 1975, e assistiu a mais três concertos em Paris. “Cada um de nós, provavelmente, tem uma Amália verdadeira a defender”, reconhece. Na prática, isso significa que aceitamos uma parte da história mas rejeitamos outra ou outras. A perda é nossa. Amália “teve cinco ou seis carreiras diferentes”, resume o director do Museu do Berardo: os anos iniciais marcados pelo reportório clássico do fado e pela música do compositor Frederico Valério; a carreira de estrela de cinema a partir de 1947; a “fase francesa”, que arranca com a sua participação no filme de 1955 “Les Amants du Tage”, onde canta “Barco negro”, e que desperta o interesse de Bruno Coquatrix, empresário do Olympia; a “explosão de carreira”, que corresponde à colaboração com o compositor Alain Oulman a partir de 1962; e o pós-25 de Abril. Mas em vez de uma visão de totalidade, esta evolução cambiante tem gerado leituras segmentadas, com o privilégio de certas fases em detrimento de outras. “Da grande fase Oulman sabemos tudo”, lembra Chougnet. “Mas a última fase é como algo nos grandes pintores: o último Picasso, o último Renoir são pouco considerados. E, de facto, os amalianos tradicionais dizem que a última fase é mais fraca.”
Vieira Nery diz que a Amália dos primeiros 20 anos de carreira é tão importante quanto a grande renovação dos anos 60 trazida pela sua associação com Alain Oulman. “Se Amália tivesse morrido em 59, nós teríamos de qualquer maneira um contributo extraordinário para a história do fado. É preciso trazer essa primeira Amália ao de cima, para combinar com a Amália da época de grande maturidade e para fazermos um exercício que é delicado e melindroso: ver a Amália final. É muito fácil dizer: ‘Ah, é a Amália sem voz, com a voz estragada’ e tudo o mais. A voz está num frangalho mas há tantos cantores, de jazz por exemplo, que ouvimos até ao fim com interesse. Há uma espécie de maturidade final com uma profundidade e uma inteligência redobradas. Se tivermos estas três épocas traçadas, percebemos um fenómeno muito mais complexo, muito mais rico e muito mais facetado do que lembrarmo-nos apenas da ‘Gaivota’, do ‘Fado Português’ ou do ‘Povo Que Lavas no Rio”, que são momentos grandes mas têm um contexto, têm uma história, não são coisas isoladas.”
Emília Tavares, historiadora e curadora de fotografia, analisou a construção da imagem de Amália ao longo da sua carreira. O encontro com a fotografia não foi um produto da sua fotogenia, espontaneamente captada pela objectiva, mas o resultado uma gestão cuidada da imagem. “A Amália é muito moderna nisso. É como se um designer hoje pegasse no fado e na imagem dela e fizesse uma coisa nova. Sem distorcer nem renegar os aspectos visuais ligados ao fado, ela consegue modernizá-los e dar-lhes uma nova interpretação e um novo uso. Consegue criar uma personagem, que tem poucos adereços. Reinventa a maneira de usar o xaile, reinventa a maneira de usar o preto, veste-se com vestidos muito mais vaporosos e deixa de usar a chita da Severa. Aquela voluptuosidade bairrista que a Severa tinha, a Amália sofistica-a. Dá-lhe uma envolvência muito misteriosa: o negro, a expressividade, o fechar os olhos quando canta...”
Ao mesmo tempo, Amália não se manteve fiel a um estilo fotográfico. Retratada por portugueses como Silva Nogueira e Augusto Cabrita, e por fotógrafos estrangeiros que são a referência para o “star-system” da época (o Studio Harcourt, em Paris, e Bruno Hollywood), o portfolio de Amália revela mudanças e rupturas e a exposição explora os contrastes entre a Amália dos primeiros anos, representada segundo estereótipos fadistas (mãos na anca, olhar enlevado e dirigido ao céu), e uma progressiva sofisticação que acompanha a sua internacionalização (retrato de estúdio à maneira de Hollywood, imagens que dão a ver o mundanismo de uma estrela, mudanças físicas radicais que abalam a representação tradicional da fadista).
Tal como mudou o reportório do fado para que um público internacional o acolhesse, “Amália percebeu, pela grande intuição que tinha, que era preciso mudar a sua imagem”, diz Emília Tavares. Uma imagem que faz valer a sua feminilidade – “há uma certa erotização, que foi sempre uma coisa pudica de se falar, como se a Amália não tivesse sexualidade” – e que se afasta dos modelos da cultura oficial do salazarismo.
“Era uma mulher independente que fumava em público, e emancipada”, lembra José Manuel dos Santos, programador da Fundação EDP, amigo de Amália. “Parecia, quase antes do tempo, uma daquelas romancistas francesas... Quer dizer, vemos fotografias dela dos anos 60 e parece uma mulher tão livre e emancipada como a Françoise Sagan. Não tinha o estereótipo da mulher portuguesa desse tempo.”
Emília Tavares lamenta a inexistência de uma reflexão crítica no campo dos estudos de género: “Era interessante perceber que efeitos é que esta imagem da Amália teve ou não nalguns sectores da sociedade portuguesa”, diz. Rui Vieira Nery diz o que podia ser o programa de “Coração Independente”: “Não há herdeiros legítimos da Amália. Todos nós somos herdeiros e nela cabem os nossos olhares todos. Porque é uma obra aberta.”
Temos hoje condições para avaliá-la de forma diferente?Jean-François Chougnet é cauteloso. “Se calhar é um pouco cedo. É como na história geral: normalmente temos capacidade para começar uma outra avaliação – não sei se é melhor ou pior – quando a última pessoa a conhecer o facto histórico morre. As primeiras histórias críticas da I Guerra Mundial foram feitas há 20 anos. Da II Guerra começam a ser feitas agora, por uma geração que não fez parte dos acontecimentos. No caso de Amália, a avaliação da geração seguinte vai ser muito diferente. O décimo aniversário da morte, provavelmente, é o primeiro passo. É mais fácil falar da questão politica, por exemplo, do que há dez anos.”
Chougnet já trabalhou sobre pesos-pesados da música popular como Serge Gainsbourg e Jacques Brel, mas não encontra paralelo francês para a relação “única” que os portugueses têm com Amália. “É uma relação de identificação enorme, e toda essa identificação é acompanhada de coisas verdadeiras e coisas falsas, toda a gente tem uma projecção sobre a imagem de Amália que é diferente da realidade. Ela continua a ocupar um lugar central na vida cultural do país, e é provavelmente a personalidade que mais representa o Portugal contemporâneo. Não há muitos casos assim. Talvez só a Oum Kalsoum, no Egipto. Se entrar num autocarro do Cairo, vai ouvir a Oum Kalsoum. Se entrar num autocarro em Lisboa, vai ouvir a Amália.” Num MP3 perto de si.
"Amália, Coração Independente" reparte-se entre o Museu Colecção Berardo e o muito próximo Museu de Electricidade em Lisboa
A exposição “Amália, Coração Independente” (de 6 de Outubro a 31 de Janeiro de 2010) reparte-se entre o Museu Colecção Berardo e o muito próximo Museu da Electricidade, em Lisboa. Não é obrigatório começar por nenhum deles, não há primeira nem segunda partes. São núcleos temáticos diferentes, mas paralelos: no Museu Berardo explora-se o “Mito/Diva”, no Museu da Electricidade o “Glamour”, aproveitando a cenografia industrial da antiga Central Tejo para exibir os vestidos e jóias (de cena e verdadeiras) de Amália.
Apesar de ser composta em grande parte por material e objectos iconográficos – fotografias, revistas, cartazes, capas de discos, trajes, acessórios, provenientes dos principais acervos amalianos, como a Fundação Amália Rodrigues, Museu Nacional do Teatro e Edições Valentim de Carvalho – não é uma exposição ilustrativa ou descritiva da vida e carreira da maior estrela do fado de todos os tempos.
No Museu Berardo, há uma cronologia inicial para contextualizar a figura, em que os principais momentos da carreira surgem sinalizados com a apresentação de trajes e acessórios usados em palco (mas a colecção principal de vestidos está no Museu da Electricidade). Uma das secções é dedicada à fotografia e à evolução da representação da fadista ao longo dos anos, mostrando a cumplicidade que Amália teve com fotógrafos nacionais e estrangeiros, geradora de imagens diversas e, nalguns casos, contrastantes. Noutra área explora-se a contemporaneidade de Amália, expondo peças de artistas que a tiveram como referência. Pela primeira vez são apresentados em conjunto os três corações de filigrana feitos a partir de talheres de plástico por Joana Vasconcelos, intitulados “Coração Independente”, e de cor diferente, a par de um vídeo do italiano Francesco Vezzoli, “Amália Traída”, súmula biográfica telenovelesca conduzida por duas divas, Lauren Bacall e Sónia Braga, e dos retratos produzidos por Leonel Moura e Adriana Molder.
Bruno de Almeida, autor de “The Art of Amália”, documentário concebido nos anos finais de Amália, realizou uma instalação-vídeo especialmente para a exposição, um trabalho de montagem e processamento de imagens de arquivo e sons que vai ser projectado em quatro ecrãs gigantes.
No centro da mostra haverá uma “sala de escuta”, que propõe uma síntese do reportório musical amaliano: 52 temas remasterizados pela Valentim de Carvalho a partir das gravações originais, que irão passar em contínuo. Jean-François Chougnet, director do Museu Berardo e coordenador de “Amália, Coração Independente”, explica que quis evitar “uma cacofonia dentro da exposição”, preferindo concentrar o som numa sala. Seria “uma traição a Amália” tratar o seu reportório como “música de elevador”, diz.
A exposição no Museu Berardo fecha com uma instalação-vídeo concebida por encomenda por Ana Rito: no tríptico “Encore”, duas bailarinas interpretam o tema “Grito” (do álbum “Lágrima”, de 1983), enquanto no ecrã central várias bocas pronunciam o nome de Amália como um mantra. Em qualquer dos casos, o som é inaudível para o espectador. Silêncio, que se vai cantar o fado.
O Teatro S. Luiz e o Museu do Fado desenvolvem em Outubro uma série de iniciativas para homenagear a fadista
No dia seguinte, 7 (18h30, entrada livre), debate-se o futuro do património de Amália. Um património que, escreve o moderador Rui Vieira Nery, passa pelo “legado físico do seu espaço íntimo”, pelo “registo da sua voz” e por todo “o corpus da documentação que se lhe refere”. Mas vai para além disso. Esse legado “é sobretudo o exemplo da sua postura artística que permanece vivo e continua a motivar intérpretes, poetas e compositores de todos os géneros, bem como artistas em todos os ramos”.
Para falar sobre esse património foram convidados Jean-François Chougnet, director do Museu Berardo, Sara Pereira, directora do Museu do Fado, Américo Lourenço, presidente da Fundação Amália, Vítor Pavão dos Santos, historiador de Teatro, José Carlos Alvarez, director do Museu do Teatro, Manuel Bairrão Oleiro, director do Instituto dos Museus e da Conservação, e David Ferreira, editor discográfico.
Para os dias 9 e 10 (23h30, no Jardim de Inverno), em Fadistas Cantam Amália, o São Luiz convidou os “intérpretes com quem [a fadista] partilhou grandes momentos da sua vida e alguns dos músicos com quem percorreu os quatro cantos do mundo”, para além de representantes da actual geração do fado – ocasião para ouvir Joana Amendoeira, Celeste Rodrigues e João Ferreira Rosa, acompanhados na guitarra portuguesa por Pedro Amendoeira e José Fontes Rocha, na viola de fado por Diogo Clemente e Pedro Pinhal, na viola baixo por Joel Pina e no contrabaixo (e também baixo) por Paulo Vaz, num espectáculo concebido por Hélder Moutinho.No Museu do Fado, entre 6 e 10 de Outubro, estarão expostas fotografias inéditas de Rui Valentim de Carvalho com Amália – homenagem à relação editor/artista que mantiveram desde 1952. Na mesma semana, o museu passa diariamente uma selecção de programas de concertos de Amália (entre 1962 e 1973) escolhidos pelo realizador Bruno de Almeida, num ciclo intitulado Memórias de Amália na Televisão. No dia 10, a terminar a semana, será exibido “The Art of Amália” de Bruno de Almeida.
Entre as iniciativas previstas pelo museu está ainda o espectáculo “Amália em Nova Iorque”, com encenação de Miguel Abreu e interpretação de Maria José Pascoal. E as Visitas Cantadas ao circuito expositivo, com vários artistas a interpretar temas do reportório de Amália.
Foi entretanto já lançada a colecção “Amália Nossa: A Primeira Época de Ouro”, em 12 livros com CD, um projecto editado por João Pinto de Sousa e coordenado por Rui Vieira Nery, que conta com comentários poéticos de Vasco Graça Moura e a direcção de arte e design de Maria João Ribeiro (uma edição Tugaland em parceria com o Museu do Fado, Fundação Amália, jornal PÚBLICO e Museu Colecção Berardo).
Para esta edição – distribuída em exclusivo com o PÚBLICO e disponível nas lojas Fnac – a Tugaland convidou 12 ilustradores a fazerem uma ilustração/imagem de Amália. Haverá também uma edição limitada de 12 LPs em vinil da mesma colecção que é editada em CD (a colecção em vinil é exclusiva para a Fnac).Mas há outros projectos editoriais em torno de Amália: o livro “Nessa Solidão Que É Minha: Amália e os Poetas Que Cantou”, uma compilação de todos os poemas gravados por Amália ao longo da sua carreira; e BD Amália+ 1 CD, uma edição em três volumes de uma banda desenhada de Nuno Saraiva, que “aborda numa linguagem algo ficcionada mas simultaneamente humorística a vida e obra de Amália”.
Vem aí uma versão remasterizada de "Com que Voz"
Amália e a Valentim de Carvalho tiveram uma relação de fidelidade que durou 47 anos e que apenas foi interrompida por um breve período de dois anos, entre 1958 e 1960, quando grava com a editora francesa Ducretet-Thomson. Nos seus últimos anos de vida, a Valentim de Carvalho (VC) editou alguns discos de inéditos, nomeadamente “Segredo”, em 1997, que, entre outros, continha temas compostos por Alain Oulman nunca publicados, e “Rara e Inédita” em 1989, que fez parte de uma caixa de oito CDs que assinalou os 50 anos de carreira. Em 2002, o 40º aniversário de “Busto”, um dos álbuns mais emblemáticos de Amália, foi pretexto para uma edição revista e aumentada, contendo versões alternativas de temas originais e registos de ensaios. Estes lançamentos vieram levantar a ponta do véu sobre a existência de material inédito nos arquivos da VC, cuja dimensão e características talvez nunca tenham sido publicamente esclarecidas. Rui Vieira Nery, coordenador da colecção de 12 CDs “Amália Nossa” que desde a última semana começou a ser vendida pelo PÚBLICO, lamenta que a edição integral e crítica da discografia de Amália ainda não tenha sido feita. “Devíamos já ter todas as sessões de gravação, devíamos saber exactamente o que é que se fez, que ‘takes’ é que foram rejeitados. Tenho a impressão que não há uma nota gravada em estúdio pela Billie Holiday que não esteja editada com comentários. Este trabalho básico não está feito no caso da Amália.”
Em 1999, David Ferreira, então director da EMI-VC, encarregou Jorge Mourinha (actual crítico do PÚBLICO) de inventariar e datar toda a discografia e todo o material gravado por Amália, procurando fixar um reportório o mais exaustivo possível. Uma base de dados que viria a servir de referência a um plano de edições e reedições críticas da discografia de Amália, entretanto iniciado com alguns lançamentos: “Amália/Vinícius”, “Bobino”, “For Your Delight” e “Abbey Road 1952”. David Ferreira, que deixou a EMI e a VC em 2007, mas desde a Primavera é consultor para o catálogo Amália, tenciona lançar uma edição remasterizada e crítica de “Com Que Voz”, com “takes” adicionais, à semelhança de “Busto”, prevista para Março de 2010, no 40º aniversário do álbum. Até final do ano, também planeia editar discos com a Amália a cantar em espanhol, italiano e francês.
Contagem aproximada do material inédito por década: cerca de 30 trechos nos anos 50, que são sobretudo “takes” alternativos de temas editados ou registos de ensaios e “quatro ou cinco inéditos absolutos”; dos anos 60 existem oito inéditos, “entre os quais um possível inédito absoluto”, e dos anos 70, outros oito, mas “quase todos absolutos”; dos anos 80 estão identificados quase 40 inéditos, gravados na sua maioria no início da década, e entre os quais se incluem as gravações feitas para o que deveria ter sido um LP de músicas populares, com orquestra, que não chegou a ser publicado. David Ferreira diz que a sua preocupação sempre foi “prestar um bom serviço”, fazendo “edições cuidadas e seguras” com “som de qualidade”. “Não assino coisas que não sejam bem feitas. As grandes obras são grandes desafios e não podem ser tratadas com os pés. Compare com a arca do Pessoa 10 anos depois da sua morte. A arca do Pessoa demorou muito tempo a ser catalogada.”
Revista Ipsilon, Jornal Público, 02 de Outubro de 2009
terça-feira, setembro 29, 2009
Amália Rodrigues com o jornal Público

terça-feira, agosto 25, 2009
sexta-feira, julho 31, 2009
Peças inéditas de Amália expostas
Está patente no Panteão Nacional até 15 de Novembro a mostra 'Amália no Mundo - O Mundo de Amália', que destaca a carreira internacional da fadista Ontem ao final da tarde um cantor espanhol cantava Amália no Panteão Nacional. A voz era de Juan Santamaria, acompanhado pelos músicos que durante anos estiveram ao lado da fadista: Joel Pina, Lelo Nogueira e Carlos Gonçalves. Mas antes já muitos tinham passado pela exposição que se inaugurou naquele espaço, Amália no Mundo - O Mundo de Amália. Esta mostra tem como um dos principais objectivos "promover e divulgar" a dimensão da carreira internacional da fadista. Isabel Melo, directora do Panteão, considera mesmo que "os portugueses não têm a noção da verdadeira dimensão que Amália teve no estrangeiro", disse ao DN.
Ao todo nesta exposição, que assinala os dez anos da morte da fadista, estão presentes entre 140 a 150 objectos relacionados com Amália Rodrigues, desde vestidos, sapatos, jóias ou luvas que usou em concertos, bem como programas dos espectáculos que deu no estrangeiro ou até cartazes desses concertos, nomeadamente um relativo a um concerto que ocorreu na Rússia em 1970.
O espólio que constitui a exposição é proveniente da Fundação Amália Rodrigues, do Museu do Teatro e de algumas colecções de privados. Segundo Isabel Melo, estes permitiram que a mostra revelasse "alguns objectos inéditos de Amália", como por exemplo o seu primeiro passaporte, de 1943, "quando ela foi pela primeira vez a Espanha, convidada pela Embaixada de Portugal", sublinhou.
A directora do Panteão Nacional enumerou ainda outros objectos em destaque, como "um quimono, todo bordado a fio de prata, que lhe foi oferecido da primeira vez que foi ao Japão, em 1970" ou "uma mala de viagem", que Isabel Melo julga ter sido a primeira da fadista.
A directora do Panteão Nacional reforça que "todas as peças têm uma história", sendo que a maior dificuldade em organizar esta exposição foi mesmo "seleccionar o que seria mais relevante". Isabel Melo contou que ao organizar esta mostra se deparou "com tanta informação importante" que teve alguma dificuldade no processo de selecção.
Além dos vários objectos pessoais e dos programas de espectáculos, que até 15 de Novembro se encontram no Panteão Nacional, nesta exposição está ainda integrado o documentário The Art of Amalia, de Bruno de Almeida, que conta com vários depoimentos da fadista. A mostra está ainda integrada num percurso "que inclui o Museu da Água e o Museu do Fado, durante o qual as pessoas visitam os três espaços, acompanhadas por um animador e assim ficam a conhecer melhor a história de Amália", referiu Isabel Melo.
No Panteão Nacional haverá ainda um serviço educativo que realizará visitas guiadas e ateliers dedicados às crianças, onde estas podem criar uma banda desenhada, aprendendo sobre quem foi Amália. Isabel Melo referiu que esta é uma das "missões" desta mostra, a de fazer que "Amália Rodrigues permaneça na memória das gerações vindouras".
A exposição estará patente até 15 de Novembro, sendo que para visitá-la apenas se paga "o ingresso de entrada no Panteão, que é de 2,5 euros".
domingo, julho 26, 2009
quinta-feira, julho 23, 2009
sábado, julho 04, 2009
E vai dai tive de comprar esta peça...
sexta-feira, junho 26, 2009
Amália Rodrigues - Os Primeiros Anos

Frente e Verso do Picture Disc com as primeiras gravações de Amália RodriguesHoje comprei a minha prenda muito antecipada. Um Picture Disc (disco em vinil pintado) com as primeiras gravações de Amália Rodrigues. É uma edição limitada a 600 discos. Não faço ideia qual a editora ou o propósito... se alguém o souber, por favor diga-me. De qualquer forma, o disco - com um som surpreendente - já cá canta... no gira-discos, claro!

















