Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fado. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, junho 12, 2009

Tatuagem

Quarta-feira irei tatuar esta imagem nas minhas costas. Depois de muito reflectir, acabava sempre com esta imagem na ideia.
A razão aparentemente mais óbvia para tatuar este perfil de Amália Rodrigues é, claro está, a minha profunda admiração e estima pela pessoa que, e durante décadas ao longo do século XX, levou Portugal ao Mundo. E este ano passam dez anos da sua morte.
Mas há razões menos óbvias.
Eu queria algo com que me identificasse, mas que também me reportasse a outras coisas.
Em primeiro lugar a Portugal. País que amo profundamente e que continuo a acreditar ser capaz de grandes conquistas. No perfil de Amália podemos "ver" o perfil de Portugal.
Depois há os poetas, os escritores. Portugal é, desde as medievais Cantigas Trovadorescas, um dos paises com maiores e melhores tradições literárias do Mundo: D. Afonso V, D. Dinis, D. Duarte, Fernando Esguio, João Garcia de Guilhade, Paio Gomes Charinho, Luis de Camões - entre outros - até aos bem mais conhecidos poetas do séc. XIX e XX. Ora, a todos estes deu Amália a voz, reavivando-os.
Depois, claro está, temos o Fado. Género musical que muito me agrada onde, nos momentos melhores ou menos bons da vida, encontro sempre um reflexo, uma ajuda, um conselho, uma similitude. E é no Fado, e estou bem convicto disso, que se encontra reunida e unificada quase nove séculos (se não mais... ainda mesmo da ocupação árabe da Pensinsula Ibérica) do ser e sentir português. Seja o sentir alegre, de festa, de optimismo e grandeza, seja o sentir melancólico, por vezes triste, de um povo "entalado" entre uma Espanha forte e um mar assustador, sem que nos restasse outra grande alternativa que não fosse a Aventura.
Assim, ao escolher esta imagem, homenageio o Fado e os seus interpretes, músicos e poetas. Ao escolher esta imagem, compilo em mim a História de Portugal.
Esta imagem é também a forma de marcar, para sempre, as recordações de férias passadas em casa dos avós maternos, a quem "roubei" as primeiras cassettes da Amália que ouvi, onde me contaram as primeiras histórias sobre ela e onde li os primeiros livros sobre esta mulher e este género musical que nunca mais abandonei. Porque abandoná-lo era, de certa forma, abandonar-me. Descobrir o Fado foi, sem dúvida, descobrir-me a mim.
Tatuar esta imagem é não esquecer-me.
Outras razões existem... mas que não cabem aqui...


Toda a poesia – e a canção é uma poesia ajudada – reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segundo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.

Fernando Pessoa

domingo, junho 07, 2009

A difícil arte de cantar uma verdade positiva



A busca dele continua a mesma: a da verdade. Que em "Um Copo de Sol" chega a ser milagrosamente positiva.


"Eu não consigo cantar nada que não se passe na minha vida, ou que não se tenha passado. Se não, sinto que estou a mentir", dizia-nos Pedro Moutinho há umas semanas, sentado à mesa de um dos seus poisos de eleição, a Tasca do Chico, no Bairro Alto, numa conversa a propósito de "Um Copo de Sol", o seu terceiro e mais recente disco.

Ele estava a tentar explicar como é que a sua relação com o fado funciona e quase tudo o que dizia andava à volta de uma ideia de "verdade". "A minha disposição não é a de que a vida seja obrigatoriamente rocambolesca", continua, "mas ela é mesmo assim. No meu caso foi sempre tudo muito difícil. Não consigo arranjar justificação para isso".

Quase tudo no discurso de Moutinho vai parar a uma ideia de dificuldade. A vida é difícil, cantar é difícil. No entanto, quando o ouvimos cantar, não parece sê-lo: é um dos fadistas da sua geração com mais leveza na garganta. Mas basta fazer-lhe uma pergunta e a sua timidez revela-se: mexe nas mãos constantemente, as pernas tremem, acende cigarros uns atrás dos outros. A sua natureza é, fundamentalmente, insegura: "Irrita-me muito às vezes ser um pouco inseguro", admite, "mas irrita-me mais a dificuldade que tenho de me ouvir".

Conversar com ele é assistir a um "strip-tease": este rapaz, como o seu irmão mais velho (Camané), não sabe mentir e tem uma obsessão com a verdade. Se lhe fazemos uma pergunta mais pessoal, não a contorna - demora-se, pensa muito, e acaba por responder com toda a honestidade, esforçando-se por estar à altura da pergunta. Nunca parte do princípio de que domina a situação.

Nos últimos tempos, teve a tarefa de ouvir os seus dois discos anteriores "para preparar o alinhamento dos concertos" que vai dar agora. "Tenho imensa dificuldade em ouvi-los", diz, como se se penitenciasse por ter cantado naqueles discos. "Começo a gostar mais do que faço agora. Os antigos estão cheios de erros."

Alegria na voz

O que Moutinho faz agora é, de facto, ligeiramente diferente do que fez até aqui. Nos dois discos iniciais ("Primeiro Fado", de 2003, e "Encontro", de 2006), cantava fados tradicionais e agora inclui canções, ainda que tocadas e cantadas em registo fadista.

As canções vêm de gente tão díspar como Amélia Muge, Tiago Bettencourt ou Rodrigo Leão, mas a grande diferença deste disco reside nas palavras, que às vezes são estranhamente positivas, como é notório na canção de Amélia Muge que dá título ao álbum.

"Fiz o último disco com fados tradicionais e pensei que estava na hora de ir buscar outras referências, ao meu gosto. Ouvi dois discos da Amélia: ela é uma grande intérprete e acima de tudo é de uma criatividade fora do vulgar, não se agarra a clichés", diz, antes de chegar ao que verdadeiramente o deslumbrou: "Ela tem uma força de viver muito grande, que transmite aos outros."

Quando Moutinho decidiu fazer um disco diferente dos anteriores percebeu que não podia esperar sentado, por isso foi à luta. "Fui à procura dela, de a conhecer e de me dar a conhecer." Sendo quem é, a tarefa de se dar a conhecer foi levada um pouco mais longe do que o habitual: "Mostrei-lhe a minha vida, o que foram os últimos 15 anos da minha vida. Ela captou de forma muito criativa coisas que se passaram comigo." Amélia escreveu-lhe "Um copo de sol" (a canção): "Queria muito o optimismo que há naquela canção, porque marca uma fase que ando a passar, que é positiva." Amélia tinha-lhe dito que "devia cantar coisas positivas" porque sentia que Moutinho "tinha alegria na voz".

Uma canção como "Um copo de sol" é, de facto, bastante diferente do que costumamos ouvir num disco de fados. Não só em termos melódicos, como nas harmonias, mas, fundamentalmente, na linguagem (directa, actual).

O que há de curioso nesta história é essa ideia de Moutinho sentir a necessidade de mostrar a sua vida a uma desconhecida para poder trabalhar com ela de forma a atingir algo de "verdadeiro". "Eu abro o meu coração a muito poucas pessoas", avança, "mas as pessoas com que vou trabalhar têm de saber quem sou". Diz isto como se nunca lhe tivesse passado pela cabeça ser possível trabalhar com quem não o conheça profundamente. Depois acrescenta: "Eu mal falo de mim, essa é uma das minhas dificuldades. Só falo de mim com quem tenho confiança, e mesmo assim, falo pouco. Por isso só posso trabalhar com amigos."

Conta a história da sua aproximação a Tiago Bettencourt, que conheceu na Mesa de Frades e com quem desenvolveu "uma relação de amizade". A história é Pedro Moutinho vintage: "Ele falou-me um bocado do que se andava a passar na vida dele, eu disse-lhe que tinha passado por isso há pouco tempo e acabei por gostar da canção que ele me trouxe."

Esta busca obsessiva de identificação e subsequente encontro com a alegria não tem nada a ver com um divórcio com o fado tradicional, diz. Estava apenas "à procura de cantar algo mais directo e actual para chegar às pessoas de forma menos rebuscada". Estava a precisar de "coisas com que me identificasse, que tivessem a ver com o que eu vivi".

16.04.2009
Por: João Bonifácio - revista Ispilon (jornal Público)

domingo, maio 03, 2009

A beleza de Pedro Moutinho - Um Copo de Sol






Ele é, talvez, a voz mais discreta dos nossos fadistas

A palavra que define a obra que Pedro Moutinho tem vindo a construir é beleza. Não vale a pena esperar desta voz aquela fundura desesperada dos grandes sofredores que por acaso cantam - Moutinho é um fadista, é possível que sofra mas que, quando não sofre, canta (tremendamente bem) na mesma. Ele é, talvez, a voz mais discreta dos nossos fadistas. Nunca exagera uma nota, toma todas as mesuras com cada sílaba. Podíamos arriscar que ele é um prodígio técnico, mas o mais certo é ser tudo instinto.
Em "Um Copo de Sol", seu terceiro disco, Moutinho arrisca fados de compositores distantes do género: vai buscar a canção homónima ao disco a Amélia Muge e "Vou-te levando em segredo", a Tiago Bettencourt e "Passo lento", a Rodrigo Leão e "Lisboa tu és assim", a Pedro Campos. Nesta última há uma melodia belíssima na guitarra, subtileza na voz, tudo manso, uma beleza que se desvela audição após audição. "Vou-te levando em segredo", que terá sido, por questões formais, a canção mais difícil de interpretar, é de uma tristeza infinda, está arranjada como um relicário, tudo preso por pinças, arranjos mínimos que acentuam a sacralidade do canto (tremendo fado-canção.) O resto são tradicionais e é aí que Moutinho está completamente à vontade, atrevendo-se a ser gaiato (em "Sem sentido") e galhofeiro (no corrido de "Colchetes d'oiro"). Para o fim, destaque-se dois fados belos e tristes: "Mais um dia" e "Quando Lisboa partir". Para quem já conhece Moutinho, avise-se que voz está mais encorpada, talvez um pouco mais "suja" ou baixa. Para quem não o conhece, fica o aviso: "Um Copo de Sol" não é um disco imediato, precisa de tempo, de audições. Porque esta beleza é esquiva, desconfiada. Há que saber esperar por ela.

Crítica do jornal Público a "Um Copo de Sol".

segunda-feira, abril 20, 2009

Um Copo de Sol - Pedro Moutinho



O convite é que trague um COPO de SOL e se deixe invadir por uma luminosidade que desponta da voz sentida e sensual de PEDRO MOUTINHO que nos traz um novo brilho. De um modo que nunca se esquece, Pedro Moutinho neste novo álbum confessa-se e arrebata-nos. Produzido por Carlos Manuel Proença que também o acompanha à viola fazendo parceria com José Manuel Neto à guitarra portuguesa e Daniel Pinto na viola-baixo.

Se se desvenda um segredo seu, talvez este: o de ir à tradição e reinventá-la. Oiça-se “Toma lá colchetes d’oiro” que o mestre dos mestres, Marceneiro, criou, e Pedro Moutinho canta-a como se nunca a tivéssemos ouvido; a procura de um inédito de Jorge Rosa, poeta feito nas vidas do fado, ou as melodias tradicionais como os Fados Oliveira, Seixal ou Meia-Noite em que perpassa um raio luminoso das novas palavras dos poetas que escolheu como Pedro Tamen, Aldina Duarte ou Manuela de Freitas e como essa sua voz as burila, a par de novas melodias de Pedro Campos, Tiago Bettencourt, Amélia Muge ou Rodrigo Leão. Ilumina-se o fado. Distinguido com os Prémios Revelação da Casa Imprensa e Amália Rodrigues para o seu anterior álbum, também produzido por Carlos Manuel Proença, Pedro Moutinho justifica-os ao dar um salto com este novo álbum que confirma o que já circulava: temos fadista e fadista não é quem quer mas quem ao canto se lhe dedica de alma franca e cria um universo que sendo seu nos leva a identificarmo-nos com ele.

Para ouvir a faixa que dá nome ao álbum clique aqui: http://www.myspace.com/pedromoutinho

domingo, abril 12, 2009

Amália Rodrigues: Senhor Extraterrestre





Amália edita, em 1982, O Senhor Extraterrestre, um maxi-single em vinil amarelo com duas canções de Carlos Paião.
Letra:

Vou contar-vos um história
que não me sai da memória,
foi p'ra mim uma vitória
nesta era espacial.
Noutro dia estremeci
quando abri a porta e vi
um grandessíssimo ovni
pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta,
veio uma figura torta,
eu disse: se não se importa
poderia ir-se embora,
tenho esta roupa a secar
e ainda se vai sujar
se essa coisa aí ficar
a deitar fumo p'ra fora.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá o botãozinho
e pôde contar-me então
que tinha sido multado
por o terem apanhado
sem carta de condução.

O senhor desculpe lá,
não quero passar por má,
pois você onde está
não me adianta nem me atraza.
O pior é que a vizinha
que parece que adivinha
quando vir que estou sozinha
com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé
venha tomar um café,
faz-me pena, pois você
nem tem cara de ser mau
e eu queria saber também
se na terra donde vem
não conhece lá ninguém
que me arranje bacalhau.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho,
disse para me pôr a pau,
pois na terra donde vinha
nem há cheiro de sardinha
quanto mais de bacalhau.

Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos com certeza,
mostre lá? Ai que riqueza,
não é mesmo uma beleza,
tão verdinho? sai ao pai.
Já está de chaves na mão?
Vai voltar p'ro avião?
Espere, que já ali estão
umas sandes p'ra viagem
e vista também aquela
camisinha de flanela
p'ra quando abrir a janela
não se constipar co'a aragem.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde-me então dizer
que quer que eu vá visitá-lo,
que acha graça quando eu falo
ou ao menos p'ra escrever.

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só p'ra dizer: Deus lhe pague.
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.

sexta-feira, março 20, 2009

Pedro Moutinho no Cinema São Jorge - A não perder...


Música: Novo CD de fadista Pedro Moutinho, "Um copo de sol", é editado em Abril
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
O álbum é constituído por 12 temas, na sua maioria inéditos, alguns cantados em melodias tradicionais como o Fado Seixal ou o Fado Oliveira, constituindo a única excepção "Toma lá colchetes d'oiro" (Henrique Rego/fado Corrido), uma criação de Alfredo Marceneiro.
"É um fado que canto desde os meus 12 anos, quase que faz parte de mim", justificou Pedro Moutinho.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou: "este é um álbum que reflecte a minha verdade, muitas das histórias que canto vivi-as".
O fadista canta pela primeira vez poetas como Manuela de Freitas, "Sem sentido" na melodia do fado Rosita de Joaquim Campos, e "Quando Lisboa partir" no fado Carlos da Maia de Quadras, ou Jorge Rosa, "Mais um dia", para o qual escolheu o fado Meia-noite de Filipe Pinto.
"Um Copo de sol" marca a estreia nas lides fadistas do músico Rodrigo Leão, que compôs "Passo lento" com poema da portuguesa Ana Carolina, sua parceira já habitual.
O tema que dá o título ao disco, "Copo de sol", é de autoria, música e letra, de Amélia Muge, autora que compôs já para, entre outros fadistas, Camané e Ana Moura.
"A Amélia escreveu-o propositadamente para mim, é um pouco o que sou, a vida que faço, entre Lisboa onde canto habitualmente, e a linha de Cascais onde vivo", disse o fadista.
"Por outro lado, pelo facto de não beber álcool", acrescentou entre risos o fadista.
Outros autores contemporâneos cantados por Pedro Moutinho são Tiago Bettencourt, "Vou-te levando em segredo", ou Pedro Campos, "Lisboa tu és assim", autor que escreveu "Montras" para o álbum "Transparente" de Mariza.
Aldina Duarte e Rogério Oliveira são dois autores reincidentes. Aldina assina "Primeira dança", que Pedro Moutinho interpreta na melodia do fado Seixal de José Duarte, e Rogério Oliveira, que escreveu"Paradoxos do amor", cantado no fado Oliveira do violista Miguel Ramos.
Outro poeta contemporâneo escolhido foi Pedro Tamen, autor de "Palavras minhas", para o qual Carlos Manuel Proença compôs o fado Sereno.
Carlos Proença, distinguido o ano passado com o Prémio Amália para Melhor Instrumentista, assina a produção deste álbum, tal como acontecera no anterior, "Encontro", que foi distinguido com o Prémio Amália para o Melhor Álbum.
Além de Proença na viola de fado, Pedro Moutinho é acompanhado por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Daniel Pinto (viola-baixo).
Pedro Moutinho tem já agendados dois espectáculos de apresentação deste álbum, para dia 04 de Abril no Centro Cultural de Vale Flor, em Guimarães, e dia 08 no Cinema S. Jorge, Lisboa.
NL.
Lusa/Fim
Fonte: Site do Jornal Expresso

quarta-feira, março 18, 2009

Amália Rodrigues

Duas músicas que nunca tinha ouvido da Amália Rodrigues. Maravilhosas (mais pela interpretação que pelos poemas).





segunda-feira, março 16, 2009

EXEQUIAL DE AMÁLIA RODRIGUES


HOMILIA DE D. JOSÉ SANCHES ALVES NA MISSA

Emudeceu a voz que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. A Nação está de luto. Todos nos curvamos respeitosamente perante os restos mortais de Amália, a artista singular que cantou, como ninguém, a saudade da alma portuguesa e fez vibrar as cordas da tristeza em acordes de alegria. Artista verdadeira e construtora genial da beleza musical ficará para sempre associada ao mistério da criação. Nela brilhou com fulgor o poder criador de Deus. Pela música, abriu, a seu modo, «um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo», afastou para longe o desespero que invade os espíritos embotados e fez nascer a alegria no coração dos homens. Através da música, cultivou a beleza que, no dizer do papa João Paulo II, «é chave do mistério e apelo ao transcendente. Convida a saborear a vida e a sonhar o futuro». Suscita nos homens a misteriosa saudade de Deus, Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento e alegria inexprimível (Cf Carta aos Artistas, 16). Cantou a saudade da terra, do mar e do céu. Saudade do passado. Saudade do futuro. Saudade da origem. Saudade do Além. Saudade de Deus que a criou. Saudade de Deus que a chamou para a outra margem da vida, sempre envolta em mistério, inacessível tanto à ciência como à filosofia e onde apenas a luz da fé pode fazer brilhar a esperança. Amália era uma mulher crente. Disse-o muitas vezes. Da sua fé falam os actos que praticou. As imagens que religiosamente trouxe consigo ou venerou religiosamente no santuário do seu lar. As orações que rezou. As esmolas que deu. As amizades que partilhou com as mais variadas classes de pessoas. Na sua vida há reflexos daquele ideal evangélico, sintetizado por Jesus Cristo nas bem-aventuranças, que há pouco foram proclamadas para nós, no decorrer desta celebração. As bem-aventuranças condensam o ideal mais elevado a que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, pode e deve aspirar. É um ideal sublime que contrasta com os ideais humanos. Difícil de captar por quem vive enredado nas teias da razão, envolto no turbilhão da vida, absorvido com as preocupações da cidade terrena e esquecido das exigências da cidade celeste. Esse ideal toma-se mais luminoso e compreensível nos momentos fortes do confronto directo com o mistério como este que estamos a viver. Quando «a tenda que é a nossa morada terrestre » se desfaz e, libertos do exílio, se nos franqueiam as portas do infinito, para entrar na «habitação eterna, que é obra de Deus (Cf 2Cor5, 1). Quando, iluminados pela fé e alentados pela esperança, nos confrontamos com uma experiência limite, então conseguiremos compreender o valor da simplicidade e da misericórdia, da humildade e da pureza de coração, do sofrimento, da perseguição e da luta pela justiça, como forças geradoras de paz, de alegria e de amor, tal como Jesus Cristo no ensina com o sermão da montanha. Com efeito, o que fica depois da morte é o espírito e não a matéria. O que acompanha, no Além, os que partem desta vida, é o bem que praticaram e não as riquezas que acumularam. Todos partem de mãos vazias. A bagagem chama-se justiça e verdade, amor e perdão. É invisível. Mas é real. Para os que partem munidos desta bagagem, cresce a esperança de imortalidade e a certeza da fé: «Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar a nós para nos levar para junto d'Ele» (2 Cor.4,14).

Lisboa, 8 de Outubro de 1999

† José Alves, bispo auxiliar

quarta-feira, março 11, 2009

domingo, março 08, 2009

Maria da Fé - Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa


Fadista
Maria da Fé distinguida com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa nos seus 50 anos de carreira
A Câmara de Lisboa decidiu distinguir a fadista Maria da Fé, a celebrar 50 anos de carreira, com a Medalha de Ouro da Cidade, disse fonte autárquica

A fadista realizará em Junho, dias 25 e 26, dois espectáculos celebrativos do seu cinquentenário artístico, respectivamente em Lisboa e no Porto.

A fadista afirmou-se «muito satisfeita e honrada». «É sempre um momento gratificante, até como portuense que sou é um orgulho»,disse Maria da Fé que acrescentou ser até «quase um reconhecimento como alfacinha».

Actualmente a residir no bairro lisboeta da Madragoa, tendo a sua casa de fados «paredes-meias com a Lapa», a criadora de Cantarei até que a voz me doa (José Luís Gordo/Fontes Rocha) vive na capital desde 1961.

A fadista afirmou guardar «gratas recordações» de uma carreira que começou no Porto, de onde é natural, e que a levou a pisar «os mais importantes palcos do mundo».

A intérprete de Sem fé (Frederico de Brito) afirmou ter sempre pugnado «pela dignificação do fado». «Vivi só para o fado», frisou.

Maria da Fé candidatou-se com 14 anos ao concurso ‘Rainha das cantadeiras’, mas não foi apurada por ser menor de idade. Venceria este concurso no ano seguinte, e aos 17 anos, depois de ter realizado digressões com Amália Rodrigues pelo Norte do país, instalou-se em Lisboa.

Na capital integrou o elenco da prestigiada Adega Machado, e posteriormente da Parreirinha de Alfama, de Argentina Santos, tendo sido das primeiras fadistas a actuar no Casino Estoril.

Maria da Fé foi a primeira fadista a concorrer a um Festival RTP da Canção, em 1969, com Vento do Norte (Francisco Nicholson/António Braga dos Santos).

A sua primeira saída ao estrangeiro, recordou a fadista, foi em finais da década de 1960, «para actuar numa associação recreativa» em Newark (Nova Jérsia), Estados Unidos.

Deste então pisou «todos os mais importantes palcos», sem esquecer detalhes e guardando «gratas memórias» de alguns, nomeadamente os brasileiros.

A criadora de Obrigado, meu Deus obrigado (José Luís Gordo/Fontes Rocha), considera-se de um tempo «em que era ainda difícil actuar no estrangeiro, levar o fado para fora».

Reconhece que hoje «é mais fácil», mas salientou o seu papel, e o de outros fadistas, designadamente Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Fernando Machado Soares, na divulgação da canção nacional além fronteiras.

A criadora de Já sei meu amor, já sei (F. Radamanto/Casimiro Ramos), recebeu em 2005 a Medalha de Mérito Cultura do Ministério da Cultura e no ano seguinte o Prémio Amália Rodrigues para a Melhor Intérprete.

«Vivi só para o fado e a minha casa de fados é exemplo disso. Aqui canto todas as noites, mas todas as noites são diferentes. Nascemos com este condão, mas há que trabalhar todos os dias, há que burilar o estilo e forma de cantar» , afirmou a fadista, que ao longo da sua carreira mereceu várias outras distinções, como o Prémio da Imprensa, em 1970, e Medalha de Ouro da Cidade do Porto.

Lusa / SOL