Mostrar mensagens com a etiqueta CTC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CTC. Mostrar todas as mensagens

domingo, abril 23, 2006

(clique na foto)




JMS, "As Vampiras Lésbicas de Sodoma", in Semanário, dir. por Rui Teixeira Santos, Ano XX Nº 1169, 2006-IV-13
A Companhia Teatral do Chiado, na passagem do 10º aniversário da morte de um dos seus fundadores, o grande actor Mário viegas, apresenta até 29 de Abril, no Teatro Estúdio que tem o seu nome, uma hilariante comédia do polifacetado artista Charles Busch, dramaturgo, romancista, estrela de cinema e actor.
A peça, que a companhia adaptaou, é uma paródia que, partindo das histórias de terror de vampiros, se inicia em Sodoma, nos templos bíblicos e termina numa sala de ensaios de um musical da actualidade, girando em torno de duas personagens que atravessam milénios, duas decadentes estrelas que poderiam ser de Hollywood ou do nosso pequenino Parque Mayer, com as suas rivalidades, ciúmes e vinganças. Juntando ingredientes tão diversos como o travestismo a que não falta o espectáculo marcadamente sexual dos shows de travestis, que é por si só um apelo ao riso, e a graça quase esquecida das piadas com alvo reconhecível da antiga revista à portuguesa, a peça parodia o mundo do showbizz e aquele outro, desconhecido por muitos, forçadamente alegre, que se esconde nas grandes urbes.
Do elenco, onde todos os actores sobressaem pela sua interpretação, distingue-se Simão Rubim, cujos jogos fisionómicos são inimitáveis, e Rita Lello, que compõem as duas vampiras lésbicas. Os figurinos e a cenografia de Miguel Sá Fernandes, a luz e o som de Vasco Letria e Sérgio Silva, bem como a encenação de Juvenal Garcês, são um contributo importantíssimo para fazer deste espectáculo um êxito assegurado, que certamente vai ser reposto várias vezes.

sexta-feira, abril 07, 2006










A COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO, ao Chiado, estreou ontem a sua mais recente peça: As Vampiras Lésbicas de Sodoma.
Trata-se de uma comédia brilhante, actual, altamente satirica e inteligente que mostra, mais uma vez, a genialidade que passa por aquela companhia fundada por Mário Viegas e Juvenal Garcês.
Simão Rubim, Rita Lello e Tobias Monteiro, encenados e dirigidos por Juvenal Garcês, dão uma interpretação extraordinária às suas personagens, sendo acompanhados por João Carracedo, Manuel Mendes e João Craveiro em palco.
São três cenas passadas em três momentos diferentes da história da humanidade; Antiguidade Clássica, Portugal na década dourada do Parque Mayer e Portugal na actualidade. O resto... o resto é melhor mesmo ir ver.
Mais uma vez a "banda sonora" escolhida por Juvenal Garcês é irrepreensivel e de uma enorme sensibilidade e inteligência.
A casa apresentou-se a abarrotar de gente terminando a actuação em enorme extâse, enchendo-se a sala de palmas.
Mais um grande sucesso garantido por esta companhia que, desde há dez anos para cá, mantem em cartaz as Obras Completas de William de Shakespeare em 97 minutos (mais coisa menos coisa).
Saia de casa e vá ao teatro.

'As Vampiras Lésbicas de Sodoma' à solta no Chiado - Diário de Noticias
Esta é a história do demónio Subaru, ou melhor, do demónio Sandokan. Ou será Sudoku? Na verdade, é a história do demónio Sucubu e de uma das suas "angelicais" vítimas. Uma comédia "sobrenatural", que data dos tempos da Bíblia e se prolonga até aos nossos dias, baseada na obra do dramaturgo e romancista Charles Busch, produzida e adaptada pela Companhia Teatral do Chiado. Com encenação de Juvenal Garcês e interpretações de Rita Lello, Simão Rubim, Manuel Mendes, João Carracedo, João Craveiro e Tobias Monteiro, a peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma estreou-se ontem no Teatro-Estúdio Mário Viegas, em Lisboa.
No centro do enredo estão duas actrizes vampiras que se amam e odeiam, ao mesmo tempo, e que há dois mil anos disputam o estrelato. Em busca do sangue de jovens virgens, que lhes garanta a vida eterna, deixam a bíblica cidade de Sodoma e correm mundo, terminando a viagem por terras lusas. Sempre em ambientes onde reinam a inveja e a luxúria, passam pela Lisboa da Revista, e acabam, nos dias de hoje, na sala de ensaios de um "musical", em plena cidade do Porto. O espectáculo, que, nas palavras de Simão Rubim, um dos protagonistas, "ultrapassa a imaginação das pessoas", recorre a um extravagante guarda-roupa e a um humor que, apesar de "libertino" em muitos momentos, brinca com a actualidade portuguesa. Esta aproximação à realidade do país é, para o actor, uma forma de "chegar mais depressa ao público". A 33.ª produção da Companhia Teatral do Chiado é uma combinação do "pequeno delírio do teatro popular, o glamour decadente do mito de Hollywood e histórias de travestis", diz o encenador da peça.
À semelhança da obra original, apresentada por Charles Busch, em 1984, e que esteve em cena durante cinco anos, Simão Rubim considera que a adaptação de As Vampiras Lésbicas de Sodoma, traduzida por Gustavo Rubim, Patrícia Marques e Vítor d'Andrade, "poderá ser um grande êxito". Apesar das sucessivas alterações na data de estreia, justificadas pela procura de financiamentos ao espectáculo, através de digressões, a peça subiu finalmente ao palco e o intérprete espera que atinja o mesmo sucesso que As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, há dez anos em cena.As vampiras andarão à solta no Teatro-Estúdio Mário Viegas, de terça-feira a domingo, até ao próximo dia 29, pelas 22.00. Neste espectáculo, não aconselhável a menores de 18 anos, os preços variam entre os 13,50 e os 18,50 euros. Proteja bem o pescoço.

sexta-feira, março 24, 2006


As Vampiras Lésbicas de Sodoma

(Vampire Lesbians of Sodom)de Charles Busch

Com As Vampiras Lésbicas de Sodoma, a Companhia Teatral do Chiado orgulha-se de apresentar ao público português uma das mais originais figuras do showbizz da actualidade: o dramaturgo, actor, estrela de cinema, artista e romancista Charles Busch.
Foi com As Vampiras Lésbicas de Sodoma que Charles Busch se tornou famoso, corria o ano de 1984. O pequeno Limbo Lounge, em Nova Iorque, onde o espectáculo estreou, ficou minúsculo, havendo quem assistisse à farsa de Busch nas mais inconcebíveis situações, incluindo a de ficar no átrio a olhar para um ecrã de televisão. Depois as Vampiras passaram para um teatro mais a sério e... ficaram cinco (5) anos em cena!!
O sucesso explica-se. Numa época dominada pelo espírito da paródia pós-moderna, Busch inventa uma história vertiginosa que começa nos tempos bíblicos, em Sodoma, e acaba na sala de ensaios de um "musical", nos nossos dias. Inaugurando um processo que veio a durar vários anos, o próprio dramaturgo brilhou no espectáculo ao representar o papel de uma das deslumbrantes protagonistas!
Com As Vampiras Lésbicas de Sodoma, Busch traz ao palco um pequeno delírio de teatro popular onde o imaginário das histórias de terror se mistura com o glamour decadente do mito Hollywood e o universo exacerbadamente sexual dos shows de travesti. Mas no centro de tudo está o combate feroz entre as duas vedetas, sedentas do sangue que lhes garante a eternidade e envolvidas numa competição estranhamente parecida com a rivalidade ciumenta que é típica entre as grandes divas do cinema.
Por tudo isto, a Companhia Teatral do Chiado faz ao seu público uma sugestão bem simples: venham ao teatro, divirtam-se enquanto vêem uma magnífica comédia, mas... não se esqueçam de proteger o pescoço!
Encenação: Juvenal Garcês
Escolha de Figurinos: Miguel Sá Fernandes
Desenho de Luz: Vasco Letria
Desenho de Som: Sérgio Silva
Contra-Regra: Tiago Peralta
ESTREIA A 6 DE ABRIL DE 2006

sábado, dezembro 03, 2005

ANTES DE COMEÇAR
de Almada Negreiros


fotografia de Luís Rocha
O Sonho do Almada
Numa noite em que reli esta peça do Almada, confesso... que me comovi até às lágrimas. No fim da leitura, sorri ironicamente dos meus olhos enevoados, não percebendo o que as tinha provocado. Se eram as lembranças da adolescência, ou se tinha estado a sonhar com o coração, no sonho do Almada. Então, decidi continuar a sonhar com um coração que não se cala. E fiquei contente, porque tinha este ponto em comum com o Almada! Fui para a cama e adormeci sem pesadelos...
À Maria e ao João, que se estreiam com este texto, os meus mais sinceros desejos de felicidades, e que o Teatro lhes dê os sonhos mais bonitos das suas vidas. Afinal de contas... o que é a vida sem teatro? Nada! Porque o teatro é uma arte maior, como Mestre Almada nos mostra neste texto.

VIVA O TEATRO
VIVA
JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS

Juvenal Garcês
1 de Dezembro de 2005

terça-feira, novembro 29, 2005

PARABÉNS À COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO E AOS 10 ANOS DAS OBRAS COMPLETAS DE WILLIAM SHAKESPEARE EM 97 MINUTOS...
mais coisa menos coisa


Aos vinte e quatro dias de Novembro do ano da graça de mil novecentos e noventa e seis, estreava no reino dos Algarves, mais propriamente na cidade foraleira de Portimão, aquele que viria a constituir-se como o maior êxito teatral de sempre em terras lusas: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, homenagem de três norte-americanos não alinhados: Adam Long, Jess Borgeson e Daniel Singer, ao Gil Vicente lá das Terras de Sua Majestade: William Shakespeare! Paródia que mereceu desde então adjectivações várias: «alucinante», «irreverente», «cardíaco», «hilariante», «desopilante», «burlesco», «divertido», «transversal», «louco», «irresistível», «fenómeno», «endiabrado», «interactivo», «mordaz», «histriónico», «genial», «excelente», «imperdível», «incontornável», «truculento», «indispensável», «obrigatório», etc., etc., etc. ...! Pois bem, volvidos nove anos a gesta da Companhia Teatral do Chiado continua com toda a pujança e regressa uma vez mais ao reino dos Algarves por ocasião do Festival de Outono da mui prestigiada instituição INATEL. O Auditório Pedro Ruivo (Conservatório Maria Campina) acolherá assim o mais energético elenco do país: João Carracedo, Manuel Mendes e Simão Rubim. A função terá lugar no dia 25 de Novembro (mera coincidência de data!) pelas 21h30. É pois com muita alegria e muita festança que a Companhia Teatral do Chiado vê as suAs Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos entrarem no 10º ano consecutivo de representações. Para os autos e para a história registe-se a 102ª digressão e a 909ª representação para um cômputo de mais 138.500 espectadores.
IMPRENSA

Lauro António Comércio do Porto
«Percebe-se porque razão muitos espectadores já viram vezes sem fim esta obra, porque ela nunca é a mesma, vive da improvisação do dia, da relação palco-plateia que se estabelece, e da inspiração de uns e outros. Este é o tipo de teatro que nenhum meio tecnológico consegue substituir. Perante o cinema, a televisão ou mesmo a interactividade do pc, este teatro não morre, sobrevive.»

Joel Neto Record
«A "soirée" é imperdível.»

José Jorge Letria Jornal da Costa do Sol
«Vale a pena ter presente o êxito desta companhia profissional que, erguendo alto a bandeira que Mário Viegas nunca deixou de empunhar, assume o teatro como um projecto profissional de qualidade que não se confina ao espartilho das modas (...) imposto pela crítica dominante.»

Ricardo Salomão Blitz
«... uma intensa interactividade com a audiência, conseguindo construir com segurança, alegria e inteligência uma enorme festa.»

Jaime Cravo Política Moderna
«A melhor homenagem (em originalidade e simplicidade) alguma vez feita ao criador de Romeu e Julieta. Eles, os três shakers preferidos de Shakespeare, com a capacidade para 37 shots de cair para o lado, merecem todas as palmas e mais algumas. Ela, a Companhia Teatral do Chiado, merece o sucesso que tem tido e o apoio que não tem do Ministério da Cultura. Juvenal Garcês foi quem dirigiu, Vasco Letria deu luz (...). Para todos eles, e mais alguns, muitos, Gustavo Rubim, Rita Lello, Jorge Pinto (...). Para todos, pensamos não ter esquecido ninguém, a POLÍTICA MODERNA tem algumas palavras que ainda ninguém lhes deu: gostámos muito do espectáculo.»

Manuel João Gomes Público
«Nunca tão poucos actores - um trio exímio na arte de comunicar - provocaram tantas gargalhadas (...)»

Eugénia Vasques Expresso
«A Revisitação hilariante da Obra Completa do velho Bardo.»

Rita Bertrand A Capital «Toda a plateia ruboresce de riso com as piadas picantes»

Ana Maria Ribeiro Correio da Manhã
«Um espectáculo absolutamente hilariante, a um ritmo de cortar a respiração»

Carla Maia Notícias Magazine
«Um trio de actores insuperável»

Fernando Midões Diário de Notícias
«Shakespeare revisitado numa obra que consegue ser plena, conseguida, lucida, critico-humorística»

Marina Ramos Público
«Um espectáculo interactivo, capaz de eliminar qualquer depressão»

Sofia Reis Valor
«Se quer passar um bom serão, não perca esta peça. Vai ver que não se arrepende.»

Carlos Porto JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias
«Situações de grande comicidade que se deve ao texto, àa tradução, ao ritmo imposto pela encenação e ao trabalho interpretativo.»

José Mendes
«Esta (...) proposta da Companhia Teatral do Chiado é irresistível. Está bem de ver e rever.»

Mulher-Aranha Público (Computadores)
«Não parei de rir»

Alexandra Carita A Capital
«Um espectáculo que já deu provas da sua qualidade»

Carla Maia de Almeida Notícias Magazine
«Garante-se riso puro e visceral»

Tito Lívio Correio da Manhã
«Um espectáculo endiabrado e velocíssimo»

Rute Coelho Tal & Qual
«Se quer passar uma noite bem-disposta, não perca»

Manuel Agostinho Magalhães Expresso
«Um "digest" de rir à gargalhada»

Jorge Sampaio, Presidente da República
«Excelente peça. Irreverente, mas muito bem feita. Aqui, aprendi a olhar Shakespeare de uma maneira muito divertida»

Ana Sousa Dias Por Outro Lado - RTP2
«Nunca ri tanto e tanto tempo seguido na minha vida. Fartei-me de chorar de rir»

Eugénia Vasques Expresso
«Os professores de literatura inglesa têm aqui uma bela proposta para um teste de avaliação de conhecimentos ou, se quiserem distribuir felicidade, para uma introdução paródica à obra de Shakespeare. A brincadeira, em ritmo e adaptação muito portugueses, pode redundar em muita seriedade.»
ANTES DE COMEÇAR
de Almada Negreiros
ilustração de Miguel Sá Fernandes
“(...) as pessoas antes de serem grandes começam por ser pequeninas!”
ANTES DE COMEÇAR, Almada Negreiros

Algures no teatro do mundo, há um boneco e uma boneca que se mexem como as pessoas. O boneco não sabe que a boneca se mexe como as pessoas e a boneca não sabe que o boneco se mexe como as pessoas. As pessoas não sabem que o boneco e a boneca se mexem como elas.
ANTES DE COMEÇAR é uma conversa entre o boneco e a boneca, quando descobrem que se mexem e falam como as pessoas.
Almada Negreiros, único grande dramaturgo português do séc. XX, construiu uma fábula comovente e simples: não são animais que falam, são dois seres que, criados por humanos, se animam na ausência dos humanos. Fantoches? Marionetas?
Boneco e boneca, soprados de vida, vêem o mundo das pessoas; o mundo das pessoas grandes e o mundo das pessoas pequeninas porque “as pessoas antes de serem grandes começam por ser pequeninas!”. O boneco revela as poucas certezas do pequeno mundo que conhece; a boneca conta o que lhe aconteceu e que é tudo o que sabe. Ambos aprendem que o coração, ao invés da cabeça, sabe sempre o que quer.
Fantoches? Marionetas? Talvez. Mas…silêncio, por favor. Porque a peça antes da peça vai agora começar...

ANTES DE COMEÇAR, de Almada Negreiros é o novo espectáculo da CTC, com estreia marcada para dia 27 de Novembro, pelas 16h.

interpretação: João Marta e Maria Albergaria
encenação: Juvenal Garcês
horário: sábados e domingos às 16h; segunda a sexta-feira para escolas mediante marcação

segunda-feira, julho 11, 2005

Critica do jornal "Expresso" à peça "Paris é uma Miragem", em cena no Teatro Estúdio Mário Viegas

O sorteio
Peripécias de um casal de tugas
Na peça Paris É Uma Miragem, do inglês John Godber, em cena na Companhia Teatral do Chiado, uma suburbana, leitora assídua da imprensa cor-de-rosa, ganha uma viagem a Paris. Depois de muito penar, consegue convencer o marido, um desempregado com pretensões a pintor, a acompanhá-la. Nenhum deles fala francês, quase nunca saíram da Cruz de Pau e estão cheios de ideias feitas acerca do mundo que não conhecem. Mas por detrás das aventuras hilariantes, das broncas indescritíveis e das «gaffes» impagáveis, acabam por fazer uma viagem única de enriquecimento e de descoberta interiores, ainda que temperada pelo desprezo contra tudo o que é português.

Naturalmente que John Godber não situou a acção na Cruz de Pau. Esta foi a escolha resultante da adaptação do texto para Portugal, por sinal muito boa. No trabalho de tradução de Gustavo Rubim e de Vítor d’Andrade tudo é plausível, nada soa a falso ou a forçado e até as pequenas inserções não deixam de vir a propósito. Personagens assim, aparentemente simples, exigem actores sagazes, inteligentes e com o dom da comédia, capazes de dosear o humor sem cair no tom revisteiro. A escolha de Sofia Duarte Silva e de Manuel Mendes foi excelente. Na sua prestação, este último não esconde o escárnio que sente pelo «seu» suburbano e cai muitas vezes na tentação de «overact», mas o registo do papel e a experiência do actor permitem-no. Sofia Duarte Silva é uma actriz muito associada a personagens mais sofisticadas, agarrando aqui a oportunidade de mostrar uma versatilidade quase insuspeita nos trabalhos que fez em televisão. A caracterização de ambos, desde o vestuário à linguagem, é perfeita e recria a simplicidade tocante do casal. A encenação de Juvenal Garcês, sem utilizar muitos adereços, é inteligente na gestão dos recursos e no modo como recria os espaços com apenas um ecrã. No mesmo registo de inteligência e de sobriedade encontra-se a iluminação de Vasco Letria e o som de Sérgio Silva, os quais sublinham a sugestão dos ambientes visitados.
Rui Nunes da Silva

domingo, junho 19, 2005

UM OÁSIS NO CHIADO - GUSTAVO RUBIM

O texto que a seguir vos transcrevo encontra-se presente no Programa da peça "Paris é uma miragem" (de que vos falo no post seguinte), em cena no Teatro Estúdio Mário Viegas, "casa" da Companhia Teatral do Chiado.
Transcrevo-o porque é verdadeiro. Transcrevo-o porque admiro a memória de Mário Viegas, a persistência, a coragem e a cultura de Juvenal Garcês (curvo-me respeitosamente perante os teus 25 anos de carreira, comemorados este ano), o trabalho, o talento e a amizade de Simão Rubim... e de todos vocês. Parabéns pelos vossos 15 anos como Companhia de Teatro, que navega por vezes em mar revolto... mas o vosso barco é forte e a tripulação, exímia e valente.
Continuem a amar o Teatro, os Actores, os Dramaturgos e o Público. Eu?! Continuarei a amar-vos.
UM OÁSIS NO CHIADO
"Parece que há gente incomodada com a insistência da Companhia Teatral do Chiado na montagem de espectáculos cómicos. A peça de John Godber - Paris É uma Miragem - é uma comédia que a CTC apresenta no ano do 15º aniversário da sua fundação por Mário Viegas e Juvenal Garcês. A título pessoal, quero, antes de mais, felicitar a CTC pelos seus 15 anos de existência: parabéns e obrigado pela oportunidade que me deram de colaborar convosco e, sobretudo, de ver na vossa Companhia o melhor teatro, o teatro como eu gosto dele, ao longo destes 15 anos. Quero também tentar explicar, em poucas palavras, o péssimo sinal que constitui aquele incómodo português com as comédias da CTC.
Não tenho visto nada mais cínico, em anos recentes, do que a invocação da memória de Mário Viegas para condenar o trabalho e a estética da CTC após a morte do grande actor e encenador, em 1996. Sem excepção, quem invoca a memória de Mário Viegas para atacar a CTC dirigida por Juvenal Garcês são as pessoas que não conheceram o Mário, que nunca aderiram ao seu estilo e, muitas vezes, que fazem ou apreciam em teatro coisas que ao Mário eram profundamente repugnantes. Trato-o assim pelo nome de baptismo, porque o conheci pessoalmente e não raras vezes o ouvi lamentar o destino do teatro português, que muito tempo depois do 25 de Abril continuava a ser (como ainda continua em grande parte, na minha opinião) um teatro submisso à ideologia, com ridículas pretensões didácticas ou, o que não é melhor, falsamente vanguardista e esteticista até ao enjoo e ao vazio total. Nada disso lhe agradava, nem de longe.
Como essas, uma convicção que o Mário deixou escrita (e todos podem ler) foi a de que a comédia não é um género menor. Parece ridículo ter de lembrar isto, quando foi na CTC que o Mário fez esse prodígio de comédio política chamado Europa Não! Portugal Nunca!!; quando foi com O Regresso de Bucha e Estica que lançou as raízes da CTC; quando alguns dos maiores êxitos da CTC, no tempo em que o Mário a dirigia, foram as suas encenações do teatro de Eduardo de Filippo, uma das quais - A Grande Magia - veio a ser a penúltima que assinou (a última, como é sabido, foi Uma Comédia às Escuras de Peter Shaffer). Por tudo isto e, mais ainda, porque o Mário era um incondicional admirador de Beckett, é que a única explicação razoável para o ataque ao gosto da CTC pela comédia só pode ser esta: através da actual CTC, os velhos inimigos de Mário Viegas continuam a depreciá-lo e a desdenhá-lo, amesquinhando a herança daquela que é, para mim, a maior figura do teatro português contemporâneo.
Há documentos oficiais desse desprezo nada inocente. Uma pessoa com responsabilidades na crítica e no ensino teatrais escreveu, há poucos anos, um balanço do teatro pós-25 de Abril: o nome de Mário Viegas mal aparecia nesse triste atestado de má-fé que destilava veneno em cada linha. Também há explicação para isto: o Mário nunca escondeu o seu apego a uma tradição de teatro popular que, paradoxal e estupidamente, os ideólogos da estética pós-revolucionária tudo fizeram para aniquilar. Com inteira justiça e toda a lucidez, Beckett e Shakespeare eram, aos olhos do Mário, teatro popular (recentemente, em Londres, os Happy Days esgotaram lotações com meses de antecedência). Tal como o recordo, o Mário nunca cometeu o grosseiro equívoco artístico destes 30 anos de teatro em liberdade: colocar Brecht acima de Shakespeare.
O Mário não tinha medo do sucesso nem do público. E nem uma coisa nem outra lhe bloqueavam a criatividade e o sentido poético. O Juvenal, o Simão, o João Nuno, o Vasco Letria e todos quantos têm mantido a CTC, desde 1990 até hoje, conservaram, intensificaram e transmitiram essa lição: a lição do teatro que só responde por si mesmo, do teatro sem limites, do teatro que ama todas as suas possibilidades sem exclusão de nenhuma. Quando tanta gente, sobretudo em lugares de poder político ou cultural, anseia e actua, de modo mais descarado e mais sinistro, pelo fim da CTC, alegra-me especialmente que a CTC responda com uma gargalhada.
Para o Zé e para a Guida, París é uma miragem. Mas para a Sofia Duarte Silva e para o Manuel Mendes, a pequena sala do Teatro-Estúdio Mário Viegas oferece-se a todos como um oásis no Chiado. Para os dois, muita merda!
À nossa CTC, ergo a taça e brindo a uma longa vida!
Gustavo Rubim

PARIS É UMA MIRAGEM - Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas


Estreou na passada quinta-feira, no TEATRO ESTÚDIO MÁRIO VIEGAS, a nova peça de teatro - PARIS É UMA MIRAGEM - do inglês John Godber.
A encenação é de Juvenal Garcês (director e co-fundador da Companhia Teatral de Chiado) e conta com a dupla Manuel Mendes (também actor do maior sucesso de sempre na história do teatro em Portugal - As Obras Completas de William Shakespeare em 97, ainda em cena) e de Sofia Duarte Silva.
É mais uma aposta ganha da CTC para este Verão de 2005. O texto é simples e sem grandes "ensinamentos", contando com a excelente tradução de Gustavo Rubim e Victor de Andrade.
Um casal de Cruz de Pau, ele desempregado e ela empregada numa loja de desporto, passam o tempo em frente ao televisor, amorfos, enquanto refilam um com o outro. Ele, tenta ser pintor. Ela, devora revistas cor-de-rosa e responde, compulsivamente, a todos os concursos que lhe aparecem à frente. Milagrosamente, ganha um fim de semana romântico na cidade das Luzes. E este é o mote para o desenrolar da acção.
De guia túristico em punho, tentam sorver o máximo que podem de Paris e daquilo que esta cidade tem para oferecer, nomeadamente para os turistas.
Ela, uma tonta sonhadora. Ele, um bronco desconfiado, armado em Manuel Maria Carrilho, ou seja, julgando-se filósofo.
A mistura é explosiva e bem conseguida, havendo momentos de um enorme humor e de genuína gargalhada.
As interpretações são altamente convincentes, estando cada um dos actores à medida do papel a desempenhar.
Mas o melhor da peça é encontrarmos Juvenal Garcês ao mais alto estilo e em excelente forma. As soluções de encenação encontradas para os diversos ambientes em que a acção se desenrola foram muito bem conseguidas, proporcionando momentos de puro deleito.
Diga-se que o cenário é apenas constituido por duas cadeiras (sempre diferentes, consoante o espaço físico onde os actores se encontram) e uma tela branca. Nesta, vão sendo projectadas imagens (slides), criando ou materializando o espaço físico onde a acção decorre. Ainda levamos, como bonús delicioso, uma surpreendente actuação de Samantha Rox (Transformista no "Finalmente", em Lisboa) ao som de "I Am, What I Am". O gosto e a pertinência das imagens, tratadas por Luís Rocha, são de salientar.
E, como já é hábito nos espectáculos de Juvenal Garcês, é de se elogiar a excelente "banda sonora" que acompanha toda a peça, ouvindo-se as vozes de Jacques Brel, Dalida e Edith Piaf. Alguém já se lembrou de convidar Juvenal Garcês para fazer um programa de rádio? Porque é impressionante o cuidado e o bom-gosto das músicas com que sempre acompanha as suas encenações. Parabéns.
Inesperado é o fim destinado a cada uma das personagens. Uma mudança de personalidade da qual se pode, ou talvez não, tirar alguma lição ou "ensinamento". Mas não vou contar o que quero dizer com isto.
É um espectáculo de puro entretenimento, próprio para o calor da estação de veraneio. Aconselha-se vivamente.
Para mais informações consulte:
Por último, não podia deixar de referir o excelente trabalho na execução do Programa da peça, como é aliás habitual na Companhia Teatral do Chiado.
Vá ao Teatro (do bom)... divirta-se.